CHINA: Uma viagem diferente
A primeira referência que tive da China veio do meu pai, Jose Araújo Vieira, funcionário do Ministério da Saúde. Ele contava umas histórias de um certo Dr. Alencar, médico epidemiologista, que viajava o mundo inteiro em encontros, congressos, pesquisas e viagens de estudo. Ele esteve uma vez na China, onde conheceu 2 cearenses que eram cozinheiros de um navio e ficaram perdidos por lá e lhes relataram vários perrengues e passagens hilárias. Eu ficava deliciado com aquelas histórias, ficava pensando e imaginando coisas, estimulando o espírito aventureiro. Prestava atenção e ia anotando tudo no meu caderninho subconsciente onde deveria um dia visitar.

A China para mim era como se fosse coisa do outro planeta. Mamãe também me mandava com frequência e veemência para a China, sempre quando eu fazia algo errado. Talvez, esses tenham sido os gatilhos mais distantes para o meu interesse em conhecer a China. Ele cresceu após eu ler o livro – Henfil na China antes da coca- cola, publicado em 1978, O Henfil fez inúmeras observações importantes sobre certos hábitos, um me chamou atenção: notou que o pessoal do meio rural, andava com uma vareta no ombro e uma trouxinha na ponta, e depois, veio a saber que aquilo era merda. Foi em 1978 que começou a era pós-Mao, Deng Xiaoping iniciou a prática do slogan das 4 modernizações (agricultura, indústria, Ciência, Tecnologia e defesa). Período de reformas e abertura para o exterior. Com o passar do tempo, as metas de interesses foram crescendo. A China por uma série de fatores atravessou quadras de fome e sofrimento, sequenciados por períodos de taxas de crescimento formidáveis.
Enfim, de forma inesperada, após muitas viagens, surgiu uma oportunidade de visitar a China. A viagem foi promovida pelo advogado Daniel Rodrigues, primo da Eunice de Belém- Pará que pretendeu levar para a China sua família (seus pais, Esposa, filhos e tias ). Ressalto que a gente já se conhece há muito tempo, viajamos juntos, e são ótimas pessoas, agora nos brindando com a confiança e consideração em nos acolher no restrito grupo. O Daniel tem relações estreitas com empresários chineses e membros da diplomacia de Macau e se dispuseram a elaborar o roteiro de viagem.
O dia D foi o 9 de novembro de 2025. Até então a gente não sabia o itinerário de visitas na China, me deixando um pouco preocupado, eu tinha um sonho de conhecer Pequim e Xangai, dessa vez não daria certo. Daniel me tranquilizou, dizendo que o roteiro estava sendo estudado com muito cuidado e carinho. Dada a distância, Eunice programou umas visitas a médicos, ainda em Fortaleza, considerava um risco enorme passarmos 22 horas imobilizados feito sardinha em lata, numa cadeira apertada no setor menos privilegiado do avião da Air France. Ela conseguiu tanto na ida quanto na volta cadeiras com mais espaços para esticar as pernas e melhorar a circulação e acesso a banheiros. Uma pessoa do nosso grupo desistiu da viagem iniciada às 23 horas de Fortaleza rumo a Paris, voo direto, previsto para 8 horas. Em Paris, uma falha. Passamos 18 horas zanzando no gigantesco aeroporto, ao invés de fazermos um city tour naquela histórica e alegre cidade, permanecemos umas 2 horas na sala vip disponibilizada pelo meu cartão, por sinal bastante lotada, não muito confortável. Descobrimos um conjunto de sofás dando sopa, num canto do aeroporto, melhor que na sala vip, com pessoas inclusive deitadas e relaxadas a vontade na maior descontração. Passamos a utilizar estes expedientes. Bingo… Eunice se deu bem, eu nem tanto, não costumo dormir nestes aperreios. Daí, após algumas horas de relativo descanso, uma senhora oriental com uma criança me pediu para pastorar sua bagagem, enquanto iria buscar um lanche para ela e a criança. Retornou e me remunerou com uma pequena tangerina que aceitei de bom grado, enquanto Eunice dormia a sono solto.
Daí, seguimos para o portão de embarque ainda faltando umas 5 horas, onde ficamos conversando, eu e Eunice, até anunciarem o embarque. Outra falha, sempre que viajo, costume carregar muitas sacolas, e outros penduricalhos, dá um trabalho danado, certo é dispormos de uma mala gigante, tipo mala de navio, com menos de 23 kg, e uma menor de mão, evita trabalho e custos adicionais. Isso é importantíssimo.
1 Chegada em Hong Kong
De Paris para Hong Kong, a viagem foi de 13 horas sem escalas e pasmem, muito boa e confortável, acima das nossas expectativas. O cansaço ajudou, dormi muito bem. Chegamos as 10:52 do dia 11 de novembro de 2025 em Hong Kong, mais um pequeno sobressalto: Onde encontrar o nosso guia naquele mundo estranho, naquele gigantesco aeroporto, com mais de 500 salas de embarques? Ficamos esperando num setor, e após momentos de teima, fomos para outro, onde fácil, finalmente encontramos o nosso contato.
Aqui, vou evitar na medida do possível, ficar descrevendo dados facilmente encontrados no Google, vou relatar o que eu vi, senti e percebi na China, embora não possa me furtar de citar alguns relevantes fatos históricos para situar o enredo. Hong Kong foi ocupada pelos chineses desde o Neolítico, era uma pequena comunidade pesqueira, uma ilha rochosa com pouca água e refúgio seguro de piratas e contrabandistas de ópio. A cidade foi cedida indefinidamente pela China à Grã-Bretanha, em 1842 pelo Tratado de Nanking e devolvida à China em meados de 1997, com base no princípio, um pais, dois sistemas. A autonomia, no entanto, tem diminuído e gerado protestos. Hoje, é região administrativa especial, tem uma bandeira, moeda própria o dólar honconguiano, com valor um pouco menor que o real. Mas tem toda uma burocracia aduaneira para Macau e China continental.
Notamos logo a influência britânica em Hong Kong, a direção dos carros no lado direito, os ônibus típicos de Londres, vermelhos com um andar superior.
Bom, chegando lá, fomos direto para o excelente hotel Auberge, próximo de atrações como Disneyland, aeroporto e 25 minutos do centro de ônibus, daqueles de 2 andares. Chegamos exaustos. Para aguardar o sono e ajustar o fuso horário comecei a buscar um canal de tv que tivesse algo em espanhol, inglês ou português, não consegui sintonizar. Desisti, era tudo em Cantonês, Chinês, mandarim, perdi a esperança e procurei ler alguma coisa.
No segundo dia de China, acordei e ao abrir as janelas, me deparei como uma vista magnifica, uma enseada da ilha de Lantau com 146 km2. A diária do hotel Auberge é de R$ 750,00 (nov/26), o hotel tem mais de 300 apartamentos.
Nas imediações do hotel tem um centro de serviços com supermercados, restaurantes, praças com butiques diversas, lojas de departamentos, de turismo e bela vista para o mar, onde a noite fomos visitar. No dia seguinte tomamos o café da manhã num local simplesmente paradisíaco, amplo, com vista deslumbrante para a enseada. Tinha quase tudo nesse café da manhã. Percebi certa escassez de frutas, tinha banana, melancia, e umas tangerinas, tudo cortado em pequenas porções, e guardados cuidadosamente em um pequeno armário, como espécie de troféu. Tinha todo tipo de mingaus, ovos, pães, chás e caldos de tudo que é cores e nsabores, eu não sabia nem o que era e tampouco ousava experimentar.
Ainda no hotel tiramos fotos em pequenos espaços bem decorados e depois saímos para abastecer nosso quarto com alguns lanches. Nossa primeira saída do hotel foi para o centro de Hong Kong, visitamos o centro comercial que é igual em qualquer lugar, diferença que tudo naquela ininteligível linguagem chinesa. Compramos um tablet Honor Pad X9, 256 GB por1.200 reais, deveria ter comprado outro, muito bom preço. Nesse primeiro dia de passeio, visitamos um prédio com a maior escada rolante do mundo, não tivemos maiores informações sobre esse prédio, sabemos que une o centro com alguns bairros. A escada servia de distribuição logística.
Enfim, a impressão de Hong Kong, metrópole super opulenta e organizada seguindo a tradição britânica, gigantescos arranha-céus, segurança e transporte impecáveis, uma certa mistura de oriente com ocidente, certamente com a influência inglesa.
2 Macau
A distância de Hong Kong para Macau é de 60 km, percorridos num micro ônibus e deu para ver a extraordinária e portentosa infraestrutura, pontes ,viadutos, tudo superlativo, pensava assim, imaginem o tempo que se levaria para concluir obras desse porte no Brasil. Passamos por uma guarda de fronteira, com direito ao controle de passaporte. Macau tem uma moeda diferente, a Pataca, parece que ouvi falar nesta moeda quando ainda era pequeno: “Não vale uma pataca”, já dizia o meu avô quando se referia a uma pessoa que ele não prezava.
3 Tung Chung North
Saindo de Hong Kong, chegamos em Taipa. Atravessamos uma ponte de 53 Km, inimaginável, chegamos ao meio dia do 13/11/2025, nesta ilha de 8 km2, na freguesia de Nossa Senhora do Carmo, onde estão construídos os melhores hotéis e cassinos do mundo, perdendo apenas para Las Vegas nos EUA. Estivemos num complexo de resorts com mais de 40 hotéis. Réplicas da Torre Eiffel, de Veneza, e um salão com um cassino fenomenal. Vez por outra ouvíamos o sussurro estrondoso e um convescote comemorando lances e perdas de talvez milhões e milhões de dólares. Talvez de patacas.
Tudo muito grandioso, estranho, diferente, e esquisito, aos nossos olhos e ouvidos ocidentais. Parece que a gente está num outro mundo, noutro planeta, não consigo explicar bem.
Dentro deste enorme resort em Macau, fomos a um local chamado zona de Aterro de Cotai que liga a ilha de Taipa com a de Coleane, uma vasta área de terra recuperada, um verdadeiro centro de turismo, cujos drenos são as imitações de Veneza. Transformaram o mar que separa duas ilhas em uma área com hospitais, universidades, aeroporto, centro de lazer, um verdadeiro espetáculo pratico de economia sustentável, o que antes era deposito de lixo em área multifuncional para o futuro urbano de Macau. Fonte de renda? Lazer , turismo e jogos de azar. Las Vegas vem de um deserto, Cotai, vem do mar…..
Procurem saber, sobre o Plaza Macau que conta com 300 suítes de alto luxo e atende aos usuários e adeptos do jogo.
Nesse dia, jantamos num luxuoso restaurante e pernoitamos no Grandwiev cassino
A primeira imagem que tenho dessa cidade de Macau é a frente intacta de uma igreja destruída. As Ruinas de Macau, são da Igreja de Madre de Deus, e do vizinho colégio de São Paulo, a igreja construída pelos jesuítas no século XVI e destruída por um incêndio em 1835. Esta fachada sobrou por ser de granito. As construções e o paço, anexo e adjacentes são de estilo inconfundível português, com inscrições em português, como o caso do Instituto para os assuntos municipais. Mas, notei que as pessoas quase não falam o idioma português, na verdade, parece que o esquecimento é proposital.
Em Macau, as ruas também são muito limpas. Acho que foi a primeira vez que vi na vida uma moça puxando um gato pela coleira. Passamos em frente ao consulado e seguimos para um ótimo restaurante.
Neste dia dormimos em The Kimberley hotel, em Hong Kong, no dia seguinte fomos para a fronteira terrestre em Cotai na ilha de Hengquin que é fronteiriça com Zhuhai, exatamente na China Continental. Hengquin conecta Taipa com China continental, sendo um posto de controle alfandegário. Um novo visto de passaporte e assim, me senti bastante visado, controlado.
Fomos, cedo da noite, a uma feira gastronômica com comidas típicas e interessantes como por exemplo, um iogurte de limão que piscava, uma espécie de reação química instável dentro da garrafa.
Nossos deslocamentos na China eram em 2 excelentes vans toyotas pretas, com motoristas, carros herméticos, muito modernos e confortáveis. Fomos ao autódromo de Macau, lá nunca teve formula 1, só campeonato de base e o nosso Airton Sena ganhou um grande prêmio importante de fórmula 3 na década de 80, tendo destaque neste local. Tiramos uma foto de sua réplica, o cara levou o nome do Brasil muito longe. Tem muitos simuladores de moto e carro em alta velocidade.
4.Cantão
No 15/11/2025, exatamente ao meio dia, entramos na China continental (Zhuhai) que liga Henghin, uma ilha que faz parte de um complexo fronteiriço e atende mais de 220 mil pessoas por dia. Novamente, todos os tramites burocráticos, outra bandeira, outra moeda, o yuan, que cambiamos com nossas patacas de Macau. Nesse período de China tiraram nossas digitais e fotos de tudo que é jeito, eles adotam um controle extremamente rígido. Fomos de ônibus à Guangzhou, nome em mandarim, ou Cantão numa versão nominal ocidentalizada. Entramos na China continental exatamente as 12:36 hs. Verdadeira China, um espetáculo de limpeza, prédios gigantescos. Surgiu o primeiro segredo do Mauro: Estamos na China Vermelha, olhei de lado vi uma policial fortemente armada, fiquei até um pouco preocupado, tudo lá é grande, tem escala. A gente sente que as coisas lá crescem com velocidade e planejamento. As 13 horas começamos a almoçar, nos esperava um bolo de chocolate apetitoso para uma aniversariante especial pertencente ao nosso alegre grupo. Surgiu inesperadamente um garotinho esperto e risonho, filho da nossa anfitriã na China, a Mia, distribuindo flores aos comensais. As 15 horas fomos a um parque infantil com esquisitos e interessantes brinquedos. Nosso grupo contava agora com 3 crianças, estava mais rico e leve e alegre.

As 16 horas fomos conhecer a torre de Cantão, a previsão era subir e jantar nas alturas, 190 andares, apreciar a gigantesca cidade numa vista noturna deslumbrante. Era gente demais. Desistimos e optamos pelo passeio de barco, ficamos perdidos, a guia não conhecia bem os roteiros e destinos. Nosso grupo era sempre acompanhado por uma pessoa que tinha um certo conhecimento local, um de apoio e uma moça arredia que me pareceu ser representante do governo.
Terminamos a noite não fazendo nada e em compensação fomos brindados com um aposento em frente a torre de Cantão, uma suíte máster esplêndida, com sala, ante sala. Por conta da furada nos passeios noturnos, decidimos jantar no hotel e abdicar de visita ao zoológico no dia seguinte, e a um projeto de plantação de chá. Adorei a ideia desta visita, infelizmente substituída, acreditem, por um passeio no pitiú, aliás isso fora ventilado pela Nice na noite anterior, com o pronto e efusivo apoio da Eunice e Nezilour. Assim, seguimos para uma espécie de 25 de março de Cantão, particularmente não gostei muito, tinha musico de rua, meninos insistentes querendo limpar os nossos sapatos, e outras pequenas mazelas que conhecemos, fui voto vencido, com o argumento de que perderíamos muito tempo no deslocamento às visitas rurais.
Fomos a torre neste dia seguinte, a gente sobe num teleférico, seguido de outro e de outro e a noite fomos passear de barco no rio das Pérolas. Para mim, o mais belo e espetacular passeio da viagem. Observei que em tudo, os chineses transformam problemas em potencialidades. Por exemplo, vi drones imitando garças voando, ao mesmo tempo fazendo uma extraordinária coreografia, pensei, enquanto embelezam nossos passeios aprimoram artefatos para fins não muito nobres, bélicos por exemplo. É uma mudança que poucos enxergam, armas baratas que podem destruir equipamentos que valem bilhões. Neste passeio, o que mais me impressionou foram as luzes noturnas piscando nos prédios opulentos da cidade e os que margeiam o rio.
5. Chengdu
Então fomos para o Hotel Ramadan de onde saímos as 13 hs para pegar um avião com destino a Chengdu, cidade dos pandas. É a capital da província de Sichuan, sudoeste da China a 1500 km de Pequim, com mais de 20 milhões de habitantes. Esta cidade é espetacular, os próprios chineses reconhecem que eles precisam descobrir e divulgar mais esta encantadora cidade, grande polo cultural, econômico e tecnológico. Agradeço ao Daniel a sua inclusão no roteiro. Ficamos no City HUAGUOSHAN hotel. Fizemos um passeio exótico a uma sauna estilo chinês, que obviamente causou um grande choque cultural ao nosso estilo ocidental. Os mais idosos do grupo, onde me incluo, nos recusamos a entrar na sauna a convite de 2 chineses, cada qual com um bigodinho esquisito, felizmente, ventilou-se que eles adoravam aplicar uns petelecos nas pessoas em trajes de Adão. No grupo tinha uma aniversariante que também não aceitou celebrar sua festa com vestimenta chinesa como manda a tradição. De sorte que, terminamos a noite num luxuoso salão de festas surgido do nada, uma lição importante de replanejamento, enfim. A noite terminou e todos ficamos felizes.
Ficamos no Cyty Huaguoshan e fomos no dia 18/11 para o parque dos pandas, onde vimos e aprendemos muito sobre estes animais em extinção, existem cerca de 5 mil pandas vermelhos no mundo. O que senti? A China cuida dessa preservação com muito esmero. Minha percepção: Transformaram uma ameaça, animal em extinção, numa oportunidade de negócios. Por exemplo, o panda branco e negro é na verdade, um urso, o vermelho, da espécie Ailuridae, parente do guaxinim ou doninha, erroneamente conhecido como um tipo especial de raposa. A China cuida, ganhando muito dinheiro com o turismo e o marketing, impactando o nincho tipo público infantil, especial para aprender a amar e respeitar este lindo, terno e cativante animal. Surgem daí novas ideias e possibilidades de parcerias; Resultado: Dinheiro, muito dinheiro, o panda seria um contraponto chinês do Mickey mouse.
Após visitar os pandas, continuamos a explorar o museu Sanxingdu com danças e registro documental sobre a história de Chengdu, pesquisas e amostras arqueológicas do parque no finalzinho da tarde. A noite no hotel, deparamos com um robô no elevador fazendo entregas de comidas nos apartamentos. Foi um susto e um encanto.
No dia seguinte, 20 /11 fomos ao Parque ecológico Beihu, um local com muito luxo, onde apreciamos musicais e danças com direito a um almoço, auto preparado em mini fogão, umas palmas de mão de plástico para a gente aplaudir quando o show agradava. A comida? Totalmente diferente, pouco convencional ver algo da cultura com danças, fotos no Beihu Parecology Parque. Fizemos um manifesto num bumbo na saída.
Seguimos numa avenida luxuosa, cheia de tuk tuk, a Desheng road, fomos a uma rua diferente, shopping , tudo limpo. O Daniel me presenteou com uma garrafa belíssima de cachaça chinesa que guardo com carinho.
Conseguimos ver ao mesmo tempo a arquitetura moderna e antiga, tradicional, com a oferta gratuita de comidas típicas, experimentei e achei extremamente apimentada. Rua Kuan Alley, passeio realmente interessante, difícil descrever. Veio o jantar, a única coisa que consegui comer foi um ovo cozido de galinha, segundo o Mauro soprou, o seu segundo segredo, era que tinha ali no meio, muito ovo de pombo. A comida passeava na minha frente e enquanto eu avaliava o que era, já era, e nesse vai e vem, fui dormir com fome.
Em seguida fomos a um belo jardim de bonsai, no Chengdu Wuhou Shrine Mus, Wuhou Temple, com imagens expressivas de entidades divinas, e outros elementos da cultura chinesa. Não tivemos nenhuma explicação, ficou difícil entender o significado destes traços culturais milenares. No retorno falei para o Mauro, cara, um segredo, será que a gente vai ter tempo de tomar um café com bastante calma, sem atropelos? Neste momento, alguém do grupo solicita, Cesar, vamos embora, estamos atrasados para as compras…Ufa. No dia 22/11/2025 seguimos para o lindo e amplo aeroporto de Chegdu com destino a Hong Kong, última etapa da viagem à China, exatamente no ponto onde chegamos. Houve um problema de lotação nos carros, então eu, Eunice e o guia tivemos de sair do script, pegamos um taxi e observei atentamente o roteiro em ruas paralelas. Verifiquei que existem algumas similaridades com o que aqui no Brasil chamamos de “quebradas”
No 23/11 , de manhã, fomos a um passeio de teleférico até a lugarejo onde se situa o Buda, uma estátua gigante no pico da montanha, o segundo melhor passeio da viagem a meu juízo. Não fomos até a estatua, demos por visto, considerando um bom número de degraus para chega na estátua. De tarde, fomos ver algumas vistas de Hong Kong, através de uma estrada íngreme, cheia de riscos e curvas. Poderia ter ficado no hotel e adjacências. Finalizando, terminamos num local onde tem uma estátua em tamanho natural do famoso Bruce Lee.
Por fim, a história das moedas. Fui num supermercado próximo ao hotel para me livrar, gastar os 82 dolares honkongianos que sobraram da viagem. Peguei algumas frutas, bolachas e pães, na hora de pagar me faltarem uns trocados. Tentei completar com moedas, não percebi que algumas delas eram patacas de Macau, e centavos de yan da China Continental. A funcionária do caixa naturalmente não aceitou, e fez uma careta para mim. Ai, fiquei um pouco embaraçado, notei as pessoas rindo na enorme fila atrás, eu gesticulava com o braço que iria voar, mais risos. De repente surgiram pessoas com moedas para completar minha nota de compras. Aceitei de bom grado, e interpretei o pequeno gesto digno de registro neste post, um sinal claro de que as pessoas entendem de solidariedade, quando realmente é necessário e de boa fé.
Finalmente, a despedida da China, uma sensação de surpresa e a revisão de minhas expectativas sobre este grande País, muito positivas e favoráveis. Chegando em Paris, Eunice me falou, Cesar, estamos em casa. A proposta inicial do Daniel foi plenamente satisfeita.
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